Frame Colectivo

Manifesto Frame

FRAME 408 é um colectivo que se dedica à arquitectura de intervenção e actua no contexto cultural, arquitectónico e urbanístico da cidade de Lisboa. O colectivo é autor da iniciativa Pátio Ambulante que incorpora e concretiza este manifesto. Pretendemos instrumentaliza-lo de forma a diversificar a exploração de uma metodologia de arquitectura de intervenção como processo de relações e micropolíticas urbanas em constante transformação e redefinição.

Desde 2013, o colectivo dedicou-se ao estudo, mapeamento alternativo e tipológico dos pátios e vilas operárias de Lisboa do séc. XIX como referência base para o projecto piloto Pátio Ambulante. Este teve início durante a Trienal de Arquitectura de Lisboa e, após vencer um Orçamento participativo de Lisboa, encontrou continuidade na colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa.
Este FRAME é o resumo e a essência da cidade que herdamos e que temos como intuito reabitar através de uma reapropriação crítica.
Para esclarecer o nome e o conceito FRAME, temos que descrever brevemente as experiências que uniram o primeiro núcleo do colectivo. Estas surgiram em Berlim, à volta de pesquisas tipológicas no âmbito da produção arquitectónica industrial do séc. XIX, sob a perspectiva da teoria de J. N. Durant para o desenvolvimento de estratégias de reabilitação deste património. Durante este trabalho, desenvolveu-se uma reinterpretação, ou mesmo reapropriação, do conceito do Rahmen em alemão, ou frame em inglês, que pretende ser o enquadramento estruturante ou moldura que facilita o desenvolvimento de um espaço flexível e capaz de responder às mais extremas variações. Este FRAME é o resumo e a essência da cidade que herdamos e que temos como intuito reabitar através de uma reapropriação crítica.


A metodologia Frame


FRAME 408 é um colectivo que se dedica à arquitectura de intervenção e actua no contexto cultural, arquitectónico e urbanístico da cidade de Lisboa. O colectivo é autor da iniciativa Pátio Ambulante que incorpora e concretiza este manifesto. Pretendemos instrumentaliza-lo de forma a diversificar a exploração de uma metodologia de arquitectura de intervenção como processo de relações e micropolíticas urbanas em constante transformação e redefinição.


Estrutura de acção:
1. Improvisação e Performance
2. Pesquisa e mapeamento, identificação de interesses e actores
3. Delineamento de uma estratégia urbana
4. Intervenção


O espaço urbano e a prática arquitectónica são abordados na sua complexidade e múltiplas camadas, como um jogo intricado e sempre em mutação e evolução, que cresce com a inclusão dos interesses de todos os colaboradores, sem deixar de parte o frame, como conjunto de regras e objetivos que guiam as acções do colectivo. O FRAME desenvolvido promove espaços de criatividade, jogo e brincadeira. É uma visão de intervenções vivas que pretendem questionar a institucionalização de espaços públicos urbanos e ao mesmo tempo actuar dentro desta, expandindo a experiência do acesso de cada um.

Resumindo, a metodologia FRAME caracteriza-se pela preferência da acção experimental como catalisador para o desenvolvimento de projectos contextualizados. A vivência pessoal do local de implementação é imperativa, assim como a colaboração com instituições e associações presentes na área.


O colectivo FRAME explora de forma interdisciplinar:


A construção de uma narrativa própria no espaço de implementação, funcional e pertinente à sociedade e às comunidades envolvidas.A renovação das cidades europeias tem levantado questões sobre a identidade de cada cidade e o risco de descaracterização. A renovação urbana acontece com uma pressão económica sem precedentes na história da Europa. A arquitectura contemporânea tem possibilidades técnicas extremamente avançadas, porém ainda não exploradas devido a regulações inflexíveis e mutiladoras, que limitam a prática quase na totalidade. A cidade construída passa a ser um conjunto pré-definido, um não-lugar com falta de identidade e o arquitecto apenas quem assina o termo de responsabilidade obrigatório.
A renovação das cidades europeias tem levantado questões sobre a identidade de cada cidade.
A participação na renegociação constante do espaço público.
Na sua complexidade, o espaço público é o local onde se manifestam as nossas necessidades, criamos e cultivamos redes sociais e recriamos a nossa cultura. Um espaço público não fica parado, desenvolvendo- se sempre a favor ou contra os seus utilizadores actuais. Nas últimas décadas, a participação dos cidadãos verificou um aumento significativo, funcionando como forma de acção política e permitindo a identificação e manifestação de preocupações, necessidades e valores dos cidadãos. Estas acções decisivas servem como canais para negociar esses interesses.
A criação de novos contextos e FRAMEs geradores de espaços de reinterpretação e reapropriação, onde cada acção se entende como consequência da anterior e geradora da seguinte.


Interessam-nos duas formas de interagir e criar redes de colaboradores. Por um lado, a participação cidadã como forma de manifestação de interesse num projecto público já planeado. Por outro lado, a participação directa na criação de um projecto para ocupação de espaço, propondo novas utilizações para estes espaços e formas de usufruir dos mesmos.


A fomentação da transversalidade na prática.


A cada passo, pretendemos rejeitar a disciplina elitista e isolada, de forma a criar uma plataforma aberta, aceitando o processo como experiência alteradora e contínua. Estando em movimento constante, as inter- venções FRAME são ideias e pensamentos colectivos e interdisciplinares que surgem e evoluem, no jogo entre frames, com eles criando uma cidade mais interactiva, mais crítica e mais saudável.